Participar do Summer Program, oferecido pelo Instituto Ismart, é uma oportunidade única para os alunos que desejam expandir seus horizontes durante as férias de verão. Proporcionado por instituições de ensino renomadas, este intercâmbio permite que os estudantes escolham cursos teóricos e práticos, além de atividades extracurriculares, proporcionando um enriquecimento acadêmico e pessoal. Mais do que apenas aprender dentro da sala de aula, o programa promove o contato entre jovens de diferentes países e culturas, ampliando a visão de mundo, fomentando networking e desenvolvendo competências socioemocionais. É uma chance de se aprofundar na cultura do país de destino e adquirir habilidades de liderança, tornando cada experiência uma verdadeira história de sucesso. Confira o relato de Yasmin:
É impossível iniciar esse relato sem contar daquela madrugada no final de 2023 em que eu disse para mim mesma: “2024 vai ser o meu ano”. Eu nunca disse isso antes devido ao medo de não alcançar as expectativas, mas iniciei o ano disposta a dar o meu melhor para realizar os meus sonhos. Só não sabia que tão cedo eu começaria a realizar um deles. Na manhã de 27 de março de 2024, recebi a notícia que iria me transformar: fui aprovada para o summer program da Universidade de Notre Dame. A partir desse momento, “My Shot” se tornou uma trilha sonora constante, pois eu não poderia desperdiçar essa chance. A chegada ao aeroporto ainda não foi o momento que me fez compreender o que estava acontecendo, mas foi onde tive que dar tchau para os meus pais e caminhar pela primeira vez com os meus próprios pés. Foi o lugar onde conheci presencialmente meus fiéis companheiros de viagem, 3 alunos do ISMART que também passariam por essa aventura comigo. Mas quando o avião decolou, além da avassaladora sensação de estar nas nuvens, foi o momento em que pela primeira vez tive que falar em inglês. E assim se repetiu na chegada ao aeroporto de Chicago, quando me deparei com pessoas do mundo inteiro e passei pela temida imigração. Nesse momento, apareceu o primeiro de muitos desafios: o voo atrasou e iríamos nos atrasar para o início do programa. Decidi que não poderia continuar me estressando quando as coisas saíssem do meu controle. Essa decisão trouxe diversas recompensas nessa minha jornada.
Notre Dame é fascinante. Não apenas pela beleza estética do local, com sua arquitetura estonteante, mas também por sua história e principalmente sua comunidade. Durante os meses de preparação para a viagem, ficava encarando aquele campus pela tela do computador, mas nada se iguala a estar lá presencialmente. Meus olhos brilhavam enquanto eu descia correndo do táxi com as malas e caminhava perdida pelo campus gigantesco procurando o meu dormitório. Observava os animais, que eram completamente diferentes dos que se encontram no Brasil: esquilos, coelhos e até mesmo pássaros. Fui recebida com acolhimento, e na primeira reunião já gritava com a multidão “Go Irish!” e fazia minhas primeiras amizades.
O Summer Scholars possui como objetivo passar por duas semanas intensivas no campus da Notre Dame fazendo um curso desafiador de nível universitário ministrado pelo corpo docente da Notre Dame. No meu caso, “Data Visualization and Storytelling”, um curso que aborda como tornar os dados acessíveis e interessantes ao público. A classe era pequena e pude estar em um dos melhores grupos que já estive, além da atenção individual que o professor poderia nos oferecer. O curso é uma verdadeira prévia dos estudos universitários; foi rigoroso e gratificante. Além disso, tivemos tempo suficiente para aproveitar as facetas sociais da vida universitária, especialmente aquelas exclusivas de Notre Dame. Passei por momentos inesquecíveis, como todos os momentos em que joguei vôlei de areia com meus amigos e a cada ponto ganho ou perdido gritava-se “Brasil!”, até mesmo quem não era brasileiro. Todas as vezes que fui a Eddy’s Street, cada vez com uma pessoa diferente e passando por situações diferentes. Todas as situações em que dei o meu melhor e pude deixar minha marca em mais algumas pessoas. Tudo parecia um sonho. Era ótimo andar pelo campus e passar por pessoas que eu nem sabia o nome e mesmo assim me elogiavam pelo meu desempenho no improviso teatral.
Mais do que isso, o Summer Scholars me deu a oportunidade de me desafiar em diversas qualidades. Conheci e me conectei com pessoas do mundo inteiro: vietnamitas, indianos, colombianos, chineses, franceses, sudaneses e estadunidenses. Fiz rafting, joguei futebol, fiz pulseiras de amizade, joguei o famoso Spikeball, enterrei meu amigo na areia, desafiei meu conhecimento musical e patinei no gelo. Nesta última atividade, passei pelo meu maior desafio. Tropecei no gelo e quebrei a perna. Na hora nem consegui sentir a dor, o medo era muito maior e, mesmo assim, tentei manter a calma. Não quis me levantar sozinha e piorar a situação, então gritei por ajuda. Eu sabia que tinha quebrado, e mesmo assim queria acreditar que não. Diversas pessoas estavam ao meu redor, paramédicos vieram, e eu tentava ser o mais racional possível. Liguei para minha mãe, avisando que me machuquei mas que estava bem, pedindo para que ela não se preocupasse, mesmo sabendo que era em vão. Após assinar um documento negando a ambulância para ser atendida pelo centro de saúde da universidade no dia seguinte, a onda de emoção veio. Nunca me senti tão sozinha e nunca tive tanto medo; eu estava machucada em outro país, extremamente longe de casa e responsável por mim mesma. Tive que ser forte e consegui. Faltava pouco para o fim da viagem e não poderia permitir que isso me abalasse. Então, com a perna quebrada e passando por outros desafios para os quais eu não poderia me preparar previamente, apresentei meu projeto final na aula com sucesso e participei da festa de despedida com meus amigos, onde cantei, sorri e dancei da maneira possível.Percebi que, enquanto eu pude, realmente consegui o que eu queria: impactar as pessoas. Enquanto estava imobilizada, sem a possibilidade de caminhar os dez quilômetros diários a que estava acostumada naquele enorme campus, meus amigos mandavam mensagens perguntando como eu estava e apareciam no meu dormitório para trazer as três refeições do dia, e até mesmo a sobremesa. Em menos de duas semanas consegui criar amizades verdadeiras, em que a preocupação era recíproca e genuína.
Dessa forma chegou o último dia dessa experiência, e aprendi que a vida realmente é uma aventura. Como uma pessoa muito sonhadora e de certa forma ambiciosa, achei que era possível ter o mundo em minhas mãos, mas isso é impossível porque eu pertenço ao mundo. Foi conhecendo culturas novas e idiomas novos, que percebi que sempre serão as pessoas que tornarão as coisas melhores. Nasci no Japão, cresci no Brasil e agora fui para os Estados Unidos. Foi passando por tudo isso que reforcei a ideia de que, se eu quero mudar o mundo de alguma forma, preciso conhecê-lo, e em Notre Dame eu tive essa prévia. Essas duas semanas foram inesquecíveis e sou muito grata por essa oportunidade, principalmente às pessoas que tornaram isso possível (ISMART, a equipe Summer Scholars, e minha família, que sempre acreditou em mim). De fato, trabalho duro vale a pena, e essas férias são apenas o início do meu voo.
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