Participar do Summer Program, oferecido pelo Instituto Ismart, é uma oportunidade única para os alunos que desejam expandir seus horizontes durante as férias de verão. Proporcionado por instituições de ensino renomadas, este intercâmbio permite que os estudantes escolham cursos teóricos e práticos, além de atividades extracurriculares, proporcionando um enriquecimento acadêmico e pessoal. Mais do que apenas aprender dentro da sala de aula, o programa promove o contato entre jovens de diferentes países e culturas, ampliando a visão de mundo, fomentando networking e desenvolvendo competências socioemocionais. É uma chance de se aprofundar na cultura do país de destino e adquirir habilidades de liderança, tornando cada experiência uma verdadeira história de sucesso. Confira o relato de Gabriel:
Perdoe-me o clichê, mas eu sempre quis um dia estar em Harvard. Não me pergunte o porquê, mas eu sentia algo diferente por essa faculdade. Talvez fosse o fato de ela ser usada como “destino inevitável dos talentosos”, afinal quem nunca ouviu a frase “nossa, ele é muito inteligente, deveria estar em Harvard”. Tendo isso em mente, desde 2021 – ano em que fui aceito no PREP Ismart – eu acordei às quatro, saí às cinco e vinte, estudei até meio dia, fiquei na escola até às sete e cheguei em casa às nove da noite todo santo dia e tudo para conseguir esse objetivo: um poder dizer que estive na tão sonhada Harvard University. Em 2023, então, eu tive a oportunidade de alcançar a minha grande meta: um summer de duas semanas na faculdade que tanto almejava pelo Ismart. Pareceu-me a oportunidade perfeita, afinal eu me empenhava tanto, era “inevitável” que um dia chegaria lá. Com grande esperança e confiança, eu apliquei. Algumas semanas depois, eu recebi o e-mail que mudaria para sempre a minha vida: eu havia sido rejeitado. Posso dizer que aquela foi a minha maior decepção. Mesmo tendo passado dois meses da rejeição, eu não conseguia esquecer que deixei meu grande objetivo escorregar por entre as minhas mãos e só pensava onde havia errado. Faltou acordar mais cedo? Deveria ter ficado mais tempo na escola? Deveria ter estudado mais durante o fim de semana? Mas eu sempre chegava à conclusão de que havia dado o meu máximo, não tinha como ter ido além.
Durante esse período de tempo, uma frase que ouvi em um evento do Ismart: “O custo de sonhar grande e pequeno é o mesmo, então sonhe alto”. E eu não conseguia concordar: lutar por meu sonho grande tem sido tão penoso, como que isso pode se equiparar a sonhar pequeno? Pensei até mesmo que alguns sonhos nunca fossem se realizar e que estava tudo bem. Nem tudo sai como eu quero, o que posso fazer? Nesse mesmo período, contudo, eu conheci um professor de matemática em uma preparatório para estudar fora que viria a ser um dos mais marcantes. Suas palavras de fé e fraternidade me ensinaram a ter esperança e a trabalhar, porque eu teria outra chance. Eu achava ele muito otimista (em um certo grau até mesmo maluco), mas ele estava certo, no ano seguinte o processo de aplicação abriria novamente. Nada tinha acabado ainda, meu grande sonho estava mais vivo do que nunca. Mas isso era uma preocupação do Gabriel de 2024, o de 2023 deveria pensar em outro grande detalhe: o fato de eu não passar aquelas férias nos EUA não era desculpa para que esse período fosse perdido. Com esse pensamento, comecei a procurar e a me inscrever em qualquer tipo de palestra para tentar caçar alguma oportunidade. Em uma dessas, conheci uma cientista que havia feito graduação na Universidade de São Paulo (USP) e depois tinha ido estudar fora. Sem muita pretensão, decidi pedir conselhos sobre a carreira, mas o mais importante: pedi por seu email.
No dia seguinte, mandei email para ela perguntando se ela conhecia quaisquer programas de pesquisa aqui no Brasil e ela me recomendou um na USP e outro no Butantã. Para ser sincero, o projeto do Butantã havia me chamado mais atenção, porque o da USP era voltado para alunos da escola pública e, embora as minhas raízes sejam na escola pública, não pensei que pudesse me qualificar ao estágio, mas enviei minha candidatura à vaga mesmo assim. Contei à diretora do programa a minha história no Ismart (ah, a minha história) e que tinha muito interesse em fazer pré-iniciação científica, mas de novo, não achei que teria resposta. Graças a Deus eu estava enganado. No dia seguinte, a diretora do programa tinha me respondido dizendo que eu podia sim me candidatar e que ela queria fazer uma entrevista comigo na outra semana. Quando li o e-mail, fiquei tão feliz quanto fiquei nervoso: uma entrevista comigo? Sério? Uma parte de mim gritava para eu desistir por medo e outra para que eu tentasse, afinal eu já tinha ido tão longe, mais um “não” não ia mudar nada. Nesse momento, relembrei outra frase que ouvi no Ismart e que concordo 100% “devemos sempre navegar na direção dos nossos medos”. Eu estava aterrorizado com a possibilidade de ir à USP? Sim, muito. Então era para lá que eu deveria ir. Aceitei conversar com ela.
No dia da entrevista, fui à biblioteca da minha escola e aguardei ansiosamente. Será que iria agradar? Será que ela ia perguntar algo específico da área? E se eu gaguejasse? E se ela me achasse desinteressante? Então, ouvi ela dizendo “Oi, Gabriel, tudo bem?”. Não tinha mais como, agora eu tinha que dar mais um passo. Aos poucos fui me acalmando e consegui contar a minha história (ah, a minha história), objetivos e planos naquela vaga. No fim da entrevista, ela me perguntou se eu tinha interesse em visitar o laboratório na universidade. Visitar a USP? Sério? Claro, quando? Marcamos para a semana seguinte e nos despedimos. Mais uma vez, meu coração acelerou. A cada passo que eu dava, mais medo eu tinha e mais certeza eu tinha para onde deveria ir. Na semana seguinte, eu me encontrei com ela na porta do ICB-2. Ela fez questão de me mostrar cada laboratório e explicar o que cada um fazia. Algo que era para durar dez minutos, no final demorou uma hora. No final do passeio, ela me disse “Volte aqui quinta que vem, você vai conversar com o professor do laboratório”. E de novo, eu tive medo e, mais uma vez, aceitei o desafio. Na quinta, então, eu conheci o responsável pelo laboratório. Uma segunda entrevista em menos de um mês, eu estava muito nervoso de novo. Neste encontro, conversamos desde biologia a filosofia, sobre meus planos no laboratório e pro futuro. Ao final da conversa, ele me disse que ou era muito valente ou muito louco de querer entrar ali com apenas 16 anos, mas concluiu com uma frase que levo até hoje: os grandes feitos da humanidade foram realizados por pessoas que eram 50% corajosas e 50% malucas. Consegui o estágio.
E lá se vão mais de um ano indo (quase) toda a semana para USP e aprendendo a cada dia um pouco mais. O leitor mais impaciente pode me perguntar o porquê de eu estar falando da USP em um relatório sobre o summer de Harvard. Acontece, caríssimo, que foi nessa experiência que eu aprendi aquilo que mudou a minha percepção: as nossas vidas devem ser encaradas como uma banda e não como músicos individuais. Por exemplo, imagine um baixista. O seu instrumento produz um som grave, pesado. Se ouvirmos um baixista tocar individualmente talvez achemos que ele é irrelevante, triste e esquecível. Porém, quando ouvimos esse mesmo baixista em uma banda, iremos perceber a importância desse tom pesado para a música como um todo. A mesma coisa com os nossos fracassos. Inevitavelmente, iremos falhar. Mas tente colocar esses fracassos em contexto, quais oportunidades você teve só por causa desse revés? Quais lições você só pode aprender com essa decepção? Quando se faz essa análise, percebe-se que invariavelmente tudo sempre dá certo no final, pois há sempre algo a se aprender nas derrotas.
Voltando à minha narrativa, um ano depois da rejeição do summer, eu tive a segunda oportunidade. Naquele momento, um Gabriel mais maduro e com mais coisa a dizer (ah, a minha história estava bem maior agora). Dessa vez eu fui aceito. E consegui realizar o meu grande objetivo de ir para Harvard. E em meio àquele sonho, eu só conseguia lembrar de tudo que tinha vivido. Quando conversava com outros estudantes, todos ficavam impressionados com o tanto que eu tinha a dizer (não disse que minha história estava maior?). Ali eu senti um certo reconhecimento de todo o meu esforço, uma coroação por todas as vezes que desacreditei de mim mesmo. Mas deixo a reflexão ao leitor: e se eu tivesse desistido no primeiro obstáculo? Muitas vezes devemos seguir mesmo que não tenha nada dizendo-nos que deveríamos, mesmo que não faça sentido, devemos sempre ter fé (como meu professor de matemática diria), 50% de coragem e 50% de loucura (como meu professor da USP concluiria). Para terminar esse relato, gostaria de contar uma última história que ouvi em 2023 sobre o que é ter fé: “Um dia um pai deixou seu filho de oito anos sozinho no apartamento em que viviam no oitavo andar e foi trabalhar. Durante o almoço, ele viu o noticiário e percebeu que seu prédio estava pegando fogo. Desesperado, o homem foi correndo para seu apartamento para saber sobre o seu filho. O incêndio havia começado no sexto andar e a fumaça havia subido e tampava a vista tanto de dentro para fora da residência quanto de fora para dentro. Porém, o homem sabia que uma das janelas de seu apartamento dava para rua e ele decidiu ir para baixo dessa janela gritar por seu filho. Seu filho respondia aos gritos do pai, dizendo ter medo e clamando por socorro, mas o homem nada podia fazer naquele momento. Ele então pede que seu filho suba na janela e se jogue na esperança de poder pegá-lo. A criança confiou em seu pai e, mesmo sem enxergar nada, sem saber se realmente era seu pai ali e não um delírio, ele subiu no parapeito e pulou. Felizmente, o pai conseguiu segurar seu filho e o garoto foi salvo” E aqui eu queria dar ênfase: Isso é ter fé. Ter fé não é acreditar somente superficialmente. Se alguém perguntasse, se a pessoa não desistir ela vai chegar em Harvard? Todos acreditam que sim. Mas nem todos têm fé realmente de que vai acontecer. Ter fé é, mesmo sem ter nenhum motivo lógico para continuar, seguir mesmo assim. Ter fé é, mesmo sem ter nenhuma segurança de que há alguém lá embaixo esperando para pegá-lo, pular mesmo assim. Em muitos desafios, não teremos outra saída senão esperar e aguardar machuca. Mas é a fé – e somente a fé (um credo irracional) – que faz você continuar e passar pelo tormento.
Que todos nós possamos ter mais fé em nossos dias para perseguir nossos sonhos. Caro leitor, espero ler o seu relato ano que vem e para isso deixo o conselho final: tenha fé!
+ VEJA MAIS: Histórias de sucesso de alunos do Ismart
